Durante toda a história da imprensa no Brasil foram muitos os momentos em que os vários chefes do executivo deste país tiveram uma relação agressiva e rude com os profissionais da imprensa. Em Cale a Boca, Jornalista!, Fernando Jorge faz uma análise a respeito das selvagerias cometidas contra os nossos jornalistas e a nossa imprensa, desde o tempo de D. Pedro I. Esta nova edição, revisada e aumentada, surge em comemoração ao bicentenário da imprensa e enfatiza o longo período de vinte anos da ditadura, a partir de abril de 1964.Fernando Jorge, conhecido por livros extremamente pesquisados e rigorosamente documentados, é capacitado por experiência própria a escrever sobre o assunto, pois também foi uma vitima dos atos arbitrários da revolução de 1964, apenas por ter denunciado a existência do preconceito racial no Brasil. Além disso, teve sua peça, O Grande Líder, censurada por ser considerada subversiva. Por último, foi ameaçado de comparecer as dependências do DOPS em virtude de ter produzido um “livro perigoso”, o livro de caráter documental falava sobre o governo Geisel.Cale a Boca, Jornalista além de ser uma denúncia, um registro da nossa memória histórica, é útil para a leitura dos que desejam ficar bem informados, para a consulta e pesquisa de estudantes, professores, escritores, jornalistas e historiadores.( A Editora)




A história da Imprensa amordaçada







by Por Erick Vizoki



A editora Novo Século lançou recentemente a quinta edição, revista e ampliada, do livro “Cale a boca, jornalista! – O ódio e a fúria dos mandões contra a imprensa brasileira”, do jornalista e escritor fluminense Fernando Jorge.
    A obra, fiel à marca registrada do autor, é a primeira que aborda em detalhes meticulosos e fartamente documentados as perseguições e arbitrariedades sofridas por jornalistas e a imprensa brasileira desde a época do Império, com destaque especial para os anos de chumbo iniciados com o golpe de 1964.
    Em sua copiosa produção literária, com ênfase em biografias que acabam se tornando definitivas, Fernando Jorge não se prende apenas à fidelidade obstinada na apresentação dos fatos: ele analisa cada episódio e, grande jornalista que é, opina sem desviar-se da isenção jornalística, qualidade fundamental para a respeitabilidade de qualquer obra do gênero.
    Entre os diversos casos abordados no livro, alguns surpreendem por desmistificar várias figuras do cenário político brasileiro e até mesmo artistas, em flagrante desrespeito à liberdade de imprensa e de opinião. Há situações gritantes, como o caso do ex-governador do Estado da Guanabara, o fervoroso “democrata” Carlos Lacerda, que mandou apreender o jornal Correio da Manhã e outros jornais. Vale ressaltar que Lacerda também era jornalista e escrevia para a Tribuna da Imprensa. Outro lendário defensor da democracia e “paladino das Diretas Já!”, o então deputado federal e ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, em 1963 desferiu violentos socos no jornalista David Nasser quando o primeiro o avistou no Aeroporto do Galeão, e tudo por causa de um artigo. O “democrata” gaúcho, inimigo de “qualquer tipo de autoritarismo” agrediu com vontade um jornalista desprevenido e doente, pois Nasser sofria do Mal de Parkinson.
    E há muito mais: José Bonifácio, o “patriarca da Independência”, agia como um chefe de cangaceiros; o proclamador da República, Marechal Deodoro da Fonseca, apoiou, ao fazer vista grossa, o empastelamento do jornal A Tribuna; os constantes destemperos e agressões do general Newton Cruz contra jornalistas; a escandalosa eleição do então ministro Alfredo Buzaid para a Academia Paulista de Letras após este lançar uma cartilha de caráter fascista... E mais, muito mais: as violentas torturas infligidas contra diversos jornalistas como Rodolfo Konder, Maurício Azedo, Miriam de Almeida Leitão Netto, Renato Oliveira da Motta, Antônio Carlos Fon, o espancamento selvagem, brutal, do jornalista Gregório Bezerra, suspeito de manter relações com comunistas, pelo coronel Darcy Villoq Viana, em praça pública, e a morte de Wladimir Herzog nos porões do DOI-CODI.
    Não apenas os “mandões” do subtítulo de “Cale a boca, jornalista!” atentaram contra a liberdade de imprensa e integridade física de jornalistas, mas também alguns grandes artistas, pessoas sensíveis e defensoras do pensamento livre, como Procópio Ferreira. Em 1933, num artigo de Gondin da Fonseca publicado no Correio da Manhã, o jornalista salientava o amor do dramaturgo à sua pátria, Portugal. Procópio Ferreira sentiu-se extremamente ofendido com a “pecha” de português e decidiu “limpar sua honra” à bala. Felizmente o ator foi dissuadido por um redator do jornal, mas impôs a condição de publicar uma réplica.
    Enfim, Fernando Jorge nos ensina que as perseguições e arbitrariedades contra a Imprensa são um problema crônico em nosso país há muito tempo. Ele próprio foi perseguido durante o regime militar por afirmar que existia preconceito racial no Brasil. Para nossa tristeza e vergonha nacional, episódios recentes mostram que as perseguições parecem não ter terminado.
     Há o caso do jornalista Jorge Kajuru, condenado à prisão em maio de 2005 em processo movido pelas        Organizações Jaime Câmara, afiliada da Rede Globo em Goiânia. Kajuru contestou os baixos valores de compra dos direitos de transmissão do campeonato goiano de 2000, pagos pela empresa.
    Em 2004 o presidente Lula chegou a cogitar a expulsão do país do repórter Larry Rother, correspondente do New York Times no Brasil, por causa de uma matéria onde o jornalista comentava sobre os hábitos etílicos de nosso presidente, escrita no início daquele ano.
    “Cale a boca, jornalista!” é uma obra fundamental e valiosa para estudantes de jornalismo, jornalistas, apreciadores de nossa história e curiosos sobre a Imprensa brasileira.


Cale a boca, jornalista! – O ódio e a fúria dos mandões contra a imprensa brasileira
Fernando Jorge
Páginas: 448
Editora Novo Século

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