sexta-feira, 15 de março de 2013

DIEBOLD PROCOMP: UM MONSTRO CHAMADO GERÊNCIA DE INVESTIGAÇÕES




A história da Diebold Procomp, fabricante das urnas eletrônicas, soma tecnologia com fraudes e toda espécie de ilegalidades. Tanto que foi a idealizadora de um verdadeiro monstro que se chama Gerência de Investigações.
No final de 2004, depois que Mauro Princiotti obteve uma  declaração do técnico em informática Ricardo dos Santos Lima (clonador de dados de cartão bancário e outras fraudes), conhecido como Gordo ( RG 30.560.472-7), o presidente da Diebold Procomp  não perdeu tempo vendo e aproveitando naquele momento para criar um setor especifico dentro da empresa para investigar fraudes em seus produtos (caixas eletrônicos e urnas).
Tão logo foi criada a gerência, o todo poderoso João Abud Júnior, enviou comunicado aos  funcionários e colaboradores por meio de Nestor de Mattos Cunha Junior, onde  informava a todos que Mauro Princiotti dos Santos teria posição de destaque na Gerência de Investigações.
Esse departamento criado por Abud com a colaboração de Nestor nada mais é do que um monstro com força e poderes bem acima de vários órgãos públicos. Por exemplo, para se grampear telefones é necessária autorização judicial, mas para a Gerência de Investigações  não precisava desse aparato judicial. Da mesma forma que as autoridades atuais não usam métodos de tortura para arrancar confissões, o setor de investigações da Diebold que usava e abusava desses métodos.
Na realidade o monstro fabricado por Abud e Nestor nada mais era do que uma KGB criada por uma empresa americana, partindo do princípio de alguns filmes de espionagem, já que o principal protagonista era Cesar Augusto Furtado, um espião ou X9 a serviço da Diebold. Foi esse monstro que passou a devorar funcionários e terceiros sem nenhuma piedade.
Coincidentemente o criador do monstro, João Abud, de vida pregressa questionável, seguindo é lógico o raciocínio de Mauro Princiotti, sua criatura, que informou ao judiciário que Zildo Heleodoro, ex-delegado de polícia tem vida pregressa questionável em virtude de sua citação na CPI dos Bingos, tal qual Abud, onde a sua empresa aparece atrelada a diversos, e onde aparece também o nome do ex-ministro Palocci. A Diebold é apontada em depoimento e investigações como uma das “colaboradoras” que bancavam a casa, além é lógico de se beneficiar em licitação.
A matéria foi publicada na Folha de S. Paulo, de19/03/2006, em reportagem de Mario Cesar Carvalho, mostrando  o Escândalo do Mensalão/ Palocci em apuros.
Diretor da Diebold está  ligado a “república de Ribeirão”
O mais desconhecido dos integrantes da chamada república de Ribeirão Preto, o engenheiro Ruy Barquete Santos, trabalha numa empresa de informática que venceu uma das maiores concorrências da história da Caixa Econômica Federal. Ruy é diretor da Diebold Procomp, que, em consórcio com o Bradesco, fornece os 25 mil terminais que estão sendo instalados em 9 mil lotéricas no país. A Caixa pagará R$ 212,9 milhões pelo arrendamento das novas máquinas por 48 meses.
Ruy é irmão de Ralf Barquete Santos, secretário da Fazenda de Ribeirão Preto, à época em  que Antonio Palocci estava à frente da prefeitura pela segunda vez (2001-2002) e assessor da presidência da Caixa até junho de 2004, quando morreu de câncer. Ralf foi o assessor designado por Palocci para receber a mesada mensal de R$ 50 mil que a empreiteira Leão Leão pagava ao PT, segundo o advogado Rogério Buratti. O ministro negou com veemência que tenha recebido a propina. Foi Ralf também que alugou a casa em Brasília usada pelo grupo de Ribeirão Preto para fazer negócios e festas.
Ruy desempenhou um papel importante na república de Ribeirão e ganhou um novo contorno depois do depoimento do motorista Francisco das Chagas Santos, que prestava serviços para o grupo. Segundo o motorista, ele era um dos freqüentadores mais assíduos da casa que o grupo alugou em Brasília.
Em uma conversa telefônica entre Buratti e o economista Vladimir Poleto, gravada pela polícia com autorização judicial, sugere que Ruy e o ministro Palocci podem ter se encontrado. No dia 29 de junho de 2004, Poleto diz que Ruy tem um encontro com o “chefão”. Chefe e chefão eram os codinomes usados pelo grupo para designar Palocci.
Um empresário desse grupo contou à Folha de S Paulo, sob a condição de que seu nome não fosse revelado, que Ruy fazia lobby para a Diebold Procomp junto a bancos federais, como o Banco do Brasil, e para órgãos do governo.
A Diebold Procomp tem ampla inserção no mercado privado (detém cerca de 60% do segmento de automação bancária, segundo a própria empresa) e tem negócios importantes com o governo. Ela fornece equipamentos para o Banco do Brasil e a Caixa e fabrica as urnas eletrônicas usadas nas eleições.
A CPI dos Bingos reuniu indícios de que a Diebold Procomp teve algum papel no processo de renovação do contrato de R$ 650 milhões da Caixa com a Gtech, ainda não esclarecido. Entre fevereiro de 2002 e fevereiro de 2003, o presidente da Diebold Procomp, João Abud Júnior, e Ralf trocaram 161 telefonemas, conforme dados da comissão. Em depoimento à PF, em novembro de 2005, Abud Júnior disse que não teve relação com o contrato da GTech.
Os terminais do consórcio Diebold Procomp/Bradesco vão substituir a rede montada em lotéricas pela GTech, empresa investigada pela CPI dos Bingos sob a suspeita de ter pago propina para renovar um contrato de R$ 650 milhões com a Caixa, em 2003.
Ralf também indicou Buratti, segundo ele próprio, para negociar com a GTech quando notou que a empresa mantinha negociações com Waldomiro Diniz, ex-assessor do então ministro José Dirceu, da Casa Civil.
Na interpretação de Buratti, Ralf não suportou a ideia de presenciar, como assessor da presidência da Caixa, as abordagens que o grupo de José Dirceu fazia para que a GTech conseguisse renovar um contrato de R$ 650 milhões. Dirceu integrava um grupo de oposição a Palocci até ser afastado da Casa Civil do governo Lula, em junho do ano passado.
Mas foi Palocci, de acordo com Buratti, quem vetou interferências do seu protegido nas negociações.
Numa guerra de versões, a GTech diz que Buratti tentou extorquir R$ 6 milhões da empresa, enquanto o advogado afirma que a empresa americana ofereceu de R$ 500 mil a R$ 16 milhões pela renovação do contrato.
A Caixa queria desmembrar os serviços que a GTech presta (terminais para as lotéricas, sistema de transmissão de dados e manutenção, entre outros). Assim, só em setembro de 2004, com uma vitória no STJ (Superior Tribunal de Justiça), o governo conseguiu remover os empecilhos que impediam a divisão da concorrência. Vale observar que muitas das datas se coincidem com a criação dessa Gerência de Investigações, em 2004.
Mas foi Abud quem teve todos os seus telefones grampeados pelo próprio setor que ele criou segundo denúncia no MPT de São Paulo e na Polícia Civil. Será que os deputados federais impedirão a instalação de uma CPI para investigar as inúmeras denúncias que envolvem a Diebold? Ou o lobby da empresa norte-americana silenciará os nobres parlamentares brasileiros? A conferir.
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