Entenda o que aconteceu, de acordo com as informações divulgadas:


O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, deixou 236 mortos na madrugada do último domingo (27). O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco. De acordo com relatos de sobreviventes e testemunhas, e das informações divulgadas até o momento por investigadores:


- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso.

- Era comum a utilização de fogos pelo grupo.

- A banda comprou um sinalizador proibido.

- O extintor de incêndio não funcionou.

- Havia mais público do que a capacidade.

- A boate tinha apenas um acesso para a rua.

- O alvará fornecido pelos Bombeiros estava vencido.

- Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros.

- 90% das vítimas fatais tiveram asfixia mecânica.

- Equipamentos de gravação estavam no conserto.



 Bombeiros combaterm chamas durante resgate na
boate Kiss(Foto: Germano Roratto/Agência RBS)


O que já se sabe: O incêndio começou por volta de 2h30 de domingo, durante apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que contou com efeitos pirotécnicos. As chamas no teto se alastraram rapidamente devido ao material inflamável usado como isolamento acústico, o que produziu fumaça preta e tóxica.
As versões: Sobreviventes relataram que o incêndio iniciou depois do vocalista ter segurado um dispositivo pirotécnico no palco. Faíscas atingiram o teto, forrado de espuma e isopor, e as chamas se espalham rapidamente. O vocalista Marcelo Santos admitiu em depoimento que segurou uma espécie de sinalizador, mas disse não acreditar que as faíscas tenham provocado o incêndio. Integrantes da banda levantaram a hipótese de curto-circuito em fios que estavam no teto.
O que falta ser esclarecido: A perícia poderá apontar onde o fogo começou e o que causou o incêndio. Peritos acharam no chão da boate pedaços do sinalizador, que serão analisados.


Vídeo publicado em canal do YouTube mostra uso
de pirotecnia no palco (Foto: Reprodução/YouTube)


O que já se sabe:

 O uso de artefatos pirotécnicos era comum em shows do Gurizada Fandangueira. Segundo a polícia, a banda utilizou um produto mais barato, próprio para ambientes abertos, que não deveria ser acionado em local fechado.

As versões: Não há lei específica que proíba show pirotécnico em ambientes fechados. No entanto, para que isso seja feito, é preciso liberação do Corpo de Bombeiros, que avalia as condições do local. O vocalista do grupo admitiu que segurou uma espécie de sinalizador, mas disse não acreditar que as faíscas tenham provocado o incêndio. Ele relatou que já havia manipulado esse tipo de artefato diversas vezes em outros shows. Segundo a revista Época, em depoimento à polícia, uma produtora da banda admitiu que comprou “fogos gelados” – espécie de fogo de artifício que não queima – e que a banda não tinha autorização para usá-los.

O que falta ser esclarecido: A Polícia Civil aguarda os resultados das perícias que poderão dizer se o sinalizador usado pela banda provocou o incêndio. Caberá ao inquérito policial apontar também se os integrantes da banda cometeram algum crime ao utilizar um sinalizador proibido para ambiente fechado.


Foto divulgada pela polícia mostra interior da boate
destruído (Foto: Divulgação/Polícia Civil do RS)


O que já se sabe:

 Pelo menos um extintor de incêndio foi manipulado quando o incêndio teve início, mas não funcionou.
As versões: Testemunhas relataram que alguns seguranças tentaram apagar as chamas no teto da boate com extintores e que os equipamentos não funcionaram. Segundo o guitarrista Rodrigo Martins, um segurança e o vocalista da banda tentaram operar o equipamento, que falhou. A boate sustenta que contava com "todos os equipamentos previsíveis e necessários para o sistema de proteção e combate contra o incêndio". O delegado Marcelo Arigony disse que os extintores poderiam ser falsos. Uma ex-funcionária da boate disse à polícia que Elissandro Spohr, um dos sócios da casa noturna, mandava retirar os extintores das paredes por questão estética.

O que falta ser esclarecido: A investigação precisa verificar se os equipamentos estavam regularizados e em condições de funcionamento. Uma perícia deve apontar se os extintores eram ou não falsos. Também é preciso saber se os funcionários souberam manuseá-los de maneira adequada e se receberam treinamento para esse tipo de situação.



O que já se sabe:

 Os bombeiros informaram que o local tinha 615 m² de área e que, portanto, a lotação deveria ser de 691 pessoas. Para o delegado Marcos Vianna, o excesso de pessoas no local está entre os fatores que contribuíram para que o incêndio na boate deixasse tantas vítimas fatais.

Versões: Jader Marques, advogado de um dos sócios da boate, disse que foram impressos 850 convites para a festa e que com 1.000 pessoas a circulação na boate "é considerada boa". De acordo com investigadores, estavam no local cerca de 1.300 pessoas. O Corpo de Bombeiros estimou inicialmente o número de frequentadores em cerca de 1.500.

O que falta ser esclarecido: O número de pessoas que estava dentro da boate na noite ainda é desconhecido. Com essa informação seria possível avaliar se o excesso de gente foi determinante para a tragédia.


Foto mostra as duas saídas que levavam para uma
única porta para rua (Foto: Ricardo Moraes/Reuters)
saiba mais


O que já se sabe: 
A boate tinha apenas um acesso, usado tanto para entrada quanto para saída de pessoas, com porta de tamanho reduzido. Não havia saídas de emergência. A porta, quando totalmente aberta, chegava a uma largura de 3 metros. Saídas de emergência são obrigatórias, mas a quantidade e a posição onde devem ser colocadas são determinadas por uma avaliação técnica feita por um engenheiro ou arquiteto.

As versões: A boate afirmou que contava com "todos os equipamentos previsíveis e necessários para o sistema de proteção e combate contra o incêndio". Segundo major dos Bombeiros, a casa noturna tinha todas as exigências estabelecidas pela lei. Segundo a polícia, a saída única está entre os fatores que contribuíram para que o incêndio deixasse tantas vítimas.Testemunhas relataram que a boate não possuía sinalização interna e que o local ficou às escuras logo que o fogo começou, o que dificultou a saída do público e fez com que muitos frequentadores acabassem no banheiro, onde morreram asfixiados.

O que falta ser esclarecido: Ainda não está claro se o estabelecimento atendia a todos os requisitos de segurança exigidos, uma vez que o alvará não tinha sido renovado, nem se a boate estava funcionando regularmente. A polícia apura se eventuais falhas nas instalações contribuíram para a tragédia.


Prefeitura entregou documentos para a polícia e se
eximiu de responsabilidade (Foto: Iara Lemos/G1)

O que já se sabe:
 O alvará fornecido pelo Corpo de Bombeiros para o funcionamento do estabelecimento está vencido desde 10 de agosto de 2012.

As versões: 
A prefeitura de Santa Maria afirma que a sua responsabilidade era apenas sobre o alvará de localização. Segundo o prefeito Cezar Schirmer, o que estava vencido era o alvará de prevenção e proteção contra incêndio, que é fornecido pelos Bombeiros. O major Gerson Pereira disse que a corporação "fez tudo o que estava ao alcance". A boate sustenta que a situação estava regular pois já havia pedido a renovação.

O que falta ser esclarecido: A polícia apura se a boate efetuou mudanças no local após a última vistoria dos bombeiros, se o processo de renovação do alvará estava regular e se a casa noturna poderia estar funcionando normalmente.




O que já se sabe: Segundo testemunhas, centenas de pessoas ficaram desesperadas com o início do incêndio e começaram a correr em busca de uma saída para a rua. Houve tumulto e muitos frequentadores caíram e foram pisoteados.

As versões: 
Testemunhas relataram que inicialmente os seguranças bloquearam a porta da boate, o que teria atrapalhado a evacuação, e que os funcionários barraram as pessoas que tentavam sair sem pagar a comanda. Conforme os relatos, ao perceberem a fumaça, os seguranças liberaram a passagem. Sobreviventes disseram ainda que a saída da boate foi dificultada por um biombo na porta de entrada e saída e grades colocadas no lado externo para organizar a fila de entrada, o que fez muita gente cair no chão e acabar pisoteada.

O que falta ser esclarecido: A polícia investiga se os funcionários seguiram o protocolo correto para situações de emergência e se os seguranças receberam orientação prévia da direção da casa para barrar clientes em caso de tumultos. Também é preciso avaliar se as portas foram totalmente liberadas e se posição das grades era adequada.


Ilustração mostra o passo a passo da tragédia em
boate que pegou fogo (Foto: Editoria de Arte / G1)

O que já se sabe: 

A boate desrespeitou pelo menos dois artigos de leis estadual e municipal no que diz respeito ao plano de prevenção contra incêndio. Tanto a legislação do Rio Grande do Sul quanto a de Santa Maria listam exigências não cumpridas como a instalação de uma segunda porta, de emergência. Outra medida que não foi cumprida na estrutura da boate diz respeito ao tipo de revestimento utilizado como isolamento acústico.

As versões: 

O advogado da boate Kiss, Jader Marques sustenta que a casa noturna estava em "plenas condições" de receber a festa. Para o delegado Marcelo Arigony, " diversos indicativos" apontam que a casa estava irregular e não podia estar funcionando.

O que falta ser esclarecido: A polícia apura que outras instalações e sistemas da boate não atendiam às exigências da legislação. O Ministério Público, por sua vez, apura a possibilidade de improbidade administrativa por parte de integrantes da Prefeitura, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos públicos.




O que já se sabe:
 Mais de 180 corpos foram retirados dos banheiros da boate.

As versões: 

O capitão da Brigada Militar Edi Paulo Garcia disse que a maioria das vítimas tentou escapar pelo banheiro do estabelecimento e acabou morrendo. Testemunhas afirmam que muitas pessoas foram para a porta dos banheiros achando que era a saída da boate e acabaram ficando presas ali.

O que falta ser esclarecido: Os investigadores apuram porque as pessoas fizeram dos banheiros uma alternativa de saída e se problemas e a falta de sinalização da boate teriam confundido os clientes.





O que já se sabe: 

A maioria dos mortos, cerca de 90%, tiveram como causa da morte asfixia. Segundo o delegado Marcos Vianna, a espuma usada no revestimento influenciou na formação de gás tóxico, contribuindo para as mortes.

As versões: 

 A médica legista Maria Ângela Zuccheto afirmou que 90% dos mortos tiveram asfixia como causa da morte em razão da rapidez com que o fogo se alastrou e a quantidade de fumaça. Segundo o pneumologista José Eduardo Afonso Junior, do Hospital Albert Einstein, a fumaça deveria conter substâncias tóxicas liberadas devido à queima de materiais inflamáveis, como a espuma do isolamento acústico presente no teto da boate
O que falta ser esclarecido: Ainda não está claro se algumas vítimas morreram após terem sido pisoteadas no tumulto.




O que já se sabe: 

A agonia de parentes e amigos começou por volta das 3h da madrugada, mas o momento em que ocorreram as mortes não foi determinado. A combinação da fumaça com o calor das chamas causa danos diretos ao sistema respiratório, podendo provocar o óbito em poucos minutos.

As versões: A perícia acredita que muitas das vítimas possam ter morrido poucos minutos após o início do incêndio. O médico otorrinolaringologista Richard Voegels, do Hospital das Clínicas da USP, explica que 5 minutos sem respirar pode provocar parada cardiorrespiratória.

O que falta ser esclarecido: A polícia apura se vítimas morreram asfixiadas antes de poderem buscar a saída da boate.



O que já se sabe:
 Não foram localizadas imagens das câmeras da boate. Uma empresa que presta serviços de manutenção para câmeras de segurança entregou à polícia um gravador que seria usado para registrar imagens e informou que recebeu o equipamento há uma semana para ser consertado.

As versões: O dono da boate afirmou que o sistema não estava funcionando havia três meses e que, por isso, o computador não estava mais na boate. A empresa de manutenção disse que o equipamento foi trazido para conserto há uma semana e que o sistema não esteve em funcionamento nesse período.

O que falta ser esclarecido: A polícia apura se o equipamento foi de fato retirado da boate antes do incêndio e se imagens não foram apagadas. Uma perícia vai esclarecer se o equipamento entregue pela empresa de manutenção realmente ficou desativado dutante os últimos dias.




Mauro Hoffmann, um dos donos da boate, é preso
após tragédia (Foto: Emerson Souza/Agência RBS)

O que já se sabe: 

Quatro pessoas tiveram prisão temporária de cinco dias decretada na segunda-feira (27): o dono da boate, Elissandro Calegaro Spohr, conhecido como Kiko; o sócio, Mauro Hofffmann; o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo Santos; e um funcionário do grupo, Luciano Augusto Bonilha Leão, que fazia serviços de segurança e outras funções auxiliares. Spohr está internado em hospital de Cruz Alta, sob custódia da polícia. Na terça-feira (28), ele tentou suicídio. Os outros três estão no Presídio de Santo Antão. A Justiça também bloqueou os bens da empresa que gere a boate. Os proprietários do estabelecimento também tiveram os seus bens retidos a pedido da Defensoria Pública. Na sexta (1º), foi prorrogada por 30 dias a prisão temporária dos envolvidos.

As versões: Segundo o Ministério Público, a polícia diz que a manutenção da prisão é necessária porque há possibilidade de fuga caso eles sejam soltos nesta sexta, data em que se encerraria a prisão temporária de cinco dias expedidas pelo Judiciário.

O que falta ser esclarecido: Ainda não se sabe se as defesas vão pedir que a liberdade dos suspeitos de envolvimento.



O que já se sabe: 
O inquérito policial que apura as causas e os responsáveis pela tragédia deve levar cerca de 30 dias para ser concluído. O Ministério Público também abriu inquérito civil para investigar a possibilidade de improbidade administrativa por parte de integrantes da Prefeitura de Santa Maria, do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos públicos por terem permitido que a boate continuasse funcionando mesmo licenças vencidas. Segundo especialistas ouvidos peloG1, os crimes possíveis para o caso são homicídio (culposo ou com dolo eventual), incêndio e lesão corporal.

As versões:

 O delegado Marcelo Arigony e a promotora Waleska Agostini dizem que existe a possibilidade dos donos da boate e dos músicos serem acusados de homicídio culposo. "É possível, mas ainda é muito prematuro responsabilizá-los", declarou a promotora. Segundo o promotor Cesar Augusto Claran, o inquérito civil visa apurar se houve falhas ou negligências por parte de órgãos públicos.

O que falta ser esclarecido: Caberá à polícia e ao Ministério Público apontar responsáveis pela tragédia e decidir se haverá indiciamentos e denunciados, e quais os crimes cometidos.


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