Desabrigados do incêndio na Favela Humaitá se articulam para reivindicar moradia


São Paulo - Não são apenas colchões, cobertores e cestas básicas enviados pelo Poder Público que estão ajudando a minimizar o sofrimento dos desabrigados da favela do Jardim Humaitá, bairro da região de Vila Leopoldina, na zona oeste da cidade. Solidário com a situação das 149 famílias que perderam as suas moradias no incêndio ocorrido sexta-feira (27), um líder comunitário foi ao local para ajudá-los a reestruturar suas vidas.
Morador de uma comunidade da Vila Brasilândia, na zona norte, Rodrigo Olegário Carmelita, de 34 anos, iniciou ontem (28), entre as vítimas do incêndio, a articulação de uma comissão que irá, nesta segunda-feira (30), no início da tarde, à sede da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo (Sehab), no centro da cidade, apresentar diversas reivindicações.
“Vamos solicitar a inclusão deles [moradores que sofreram perdas com o incêndio] nos programas habitacionais e o recebimento de uma bolsa aluguel até que saiam as moradias”, explicou o líder comunitário.
Ele informou ainda que também está tentando conseguir um advogado para fazer um levantamento sobre as áreas onde há nove anos os sem-teto foram se instalando em barracos de madeira ou em casas de alvenaria.
De acordo com o coordenador distrital da Defesa Civil, Nelson Suguieda, está em andamento na Justiça um processo de reintegração de posse, cujos detalhes ele desconhece, mas que afetaria apenas uma parcela do terreno ocupado. Grande parte das moradias queimadas era de palafitas erguidas sobre um córrego que serve de escoamento para contenção das águas do Rio Tietê. Esta área pertence à Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae).
Ainda existem barracos em uma área da prefeitura, construídos onde antes era uma rua de terra, continuação da Rua Galleo Enemdabili. Algumas moradias, no entanto, fazem parte de um núcleo urbanizado, no qual os moradores estão morando legalmente e pagam, inclusive,  o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Já outras famílias ocupam um espaço inadequado, que fere a exigência legal de manter preservados 15 metros das margens do córrego.
Um dia depois do incêndio, a Defesa Civil da Prefeitura  manteve uma equipe de prontidão no local. Porém,  a grande maioria dos desabrigados não estava lá. Das cerca de 450 pessoas que ficaram sem casa, apenas 21 aceitaram ir para um abrigo municipal, enquanto os demais foram para a casa de parentes ou de amigos.
O morador Jocemar Azevedo contou ter passado a noite na casa da mãe, em Guarulhos, com a esposa e um enteado. A casa dele, de alvenaria, não chegou a ser destruída pelo incêndio, mas está interditada porque teve a estrutura comprometida. “Quando acordei, dei de cara com o fogo”, lamentou.

Edição: Davi Oliveira
by ebc.com.br

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